A MORTE DO PENSAMENTO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A INTERROGAÇÃO, A LIBERDADE E A ANGÚSTIA EM SARTRE.

A MORTE DO PENSAMENTO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A INTERROGAÇÃO, A LIBERDADE E A ANGÚSTIA EM SARTRE..

Trecho

[…] a angústia se distingue do medo porque medo é medo dos seres do mundo, e angústia é angústia diante de mim mesmo. A vertigem é angústia na medida em que tenho medo, não de cair no precipício, mas de me jogar nele CITATION SAR07 \p 73 \t  \l 1046 (SARTRE, 2007, p. 73).

A angústia é uma vertigem que a consciência sente à presença de si mesma, quando se coloca a si mesma em questão. O medo é, portanto, decorrente da relação do homem com algo no mundo, e angústia decorre da relação dela com ela mesma, quando se objetiva. Sartre dá o exemplo do homem na guerra. Este, no cotidiano da batalha, muitas vezes pode sentir medo de uma bomba que vem em sua direção, de um pelotão inimigo, de uma situação inesperada que possa lhe tirar a vida. Isto é medo. Angústia é quando ele se apreende tendo medo de ter medo CITATION SAR07 \p 73 \t  \l 1046 (SARTRE, 2007, p. 73). Poderíamos dizer que, tendo perdido totalmente as expectativas de voltar para casa, o soldado por vezes se apreende tendo esperança de voltar a ter esperança, ou seja, coloca a si mesmo em questão e se interroga, se nadifica. E esta vertigem de se confrontar a si mesma faz nascer na consciência a angústia.

Mas por que motivo a consciência se angustia diante de si mesma? Como veremos mais detalhadamente, quando se objetiva a consciência se vê a si mesma como pura contingência não causal, como pura indeterminação, ou seja, se angustia ante a liberdade que lhe constitui, uma vez que o nada tratou de separá-la de qualquer eixo fundamental. A consciência se vê sozinha, livre para se escolher sem nenhum determinismo, mas também sem nenhum caminho seguro que lhe garanta a melhor escolha: sua sobrevivência, a minimização da dor e o aumento do prazer. A consciência se angustia precisamente porque, sendo contingente, suas condutas são meras possibilidades: seus planos, suas escolhas passadas, sua suposta essência e seus valores não passam de possibilidades que, justamente por serem possibilidades, podem não acontecer como o planejado CITATION SAR07 \p 73 \t  \l 1046 (SARTRE, 2007, p. 73). […]

About rikaferreira

Carioca, 34 anos, blogueira, chocólatra, amo café, adoro comida simples, tentando ser o mais kosher ou vegana possível. Amo animais e natureza. Cristã. Filosofia é um prazer, assim como qualquer leitura. Sou crítica, sou curiosa. Não tenho time. Não curto rótulos. Não sigo partido político. Centro-direita, as vezes centro-esquerda. Gosto muito de conhecer histórias de vida e admirar talentos. Amo música, prefiro Clássica, Bossa Nova, Jazz, Blues, Choro, Flamenco. E não sou rica, só rica de alegria, de experiências e da Graça de Deus.
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3 Responses to A MORTE DO PENSAMENTO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A INTERROGAÇÃO, A LIBERDADE E A ANGÚSTIA EM SARTRE.

  1. sccalix says:

    Obrigado por compartilhar este texto. João Flávio de Almeida.

  2. Pingback: Fundadores do pensamento no século XX | Aproffesp

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